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quarta-feira, 30 de abril de 2014

20ª edição dos Motores do Desenvolvimento discute desafios do Comércio, dos Serviços e do Turismo no estado


Seminário, do qual o Sistema Fecomércio é co-realizador, trouxe a Natal nomes como Guilherme Afif, Luiza Trajano, Alexandre Sampaio e Alysson Paollineli

O Sistema Fecomércio do RN, em parceria com o jornal Tribuna do Norte, RG Salamanca, Sistema Fiern e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, promoveu na segunda-feira, 28, a 20ª edição do Seminário Motores do Desenvolvimento. Com o tema central “Comércio, Serviços e Turismo: os desafios dos pilares da economia potiguar”, o projeto faz parte de uma série de ações da Fecomércio em homenagem aos 65 anos da entidade. O evento aconteceu durante todo o dia, no Hotel Sehrs Natal. Além do presidente do Sistema Fecomércio, Marcelo Queiroz e dos parceiros do Motores (Amaro Sales, presidente do Sistema Fiern e Maria de Fátima Freire Ximenes, vice-reitora da UFRN), a solenidade de abertura foi marcada pela presença de diversas autoridades, entre elas, o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho;  o presidente da Câmara Federal, Henrique Alves; e a governadora do estado, Rosalba Ciarlini. 
O presidente do Sistema Fecomércio, Marcelo Queiroz, abriu as atividades do Seminário, com um discurso onde enfatizou a alta carga tributária imposta aos empresários brasileiros. "Na época da colônia, a Inconfidência Mineira ocorreu devido à cobrança da derrama – que era a cobrança de 20% do ouro produzido na Colônia por parte da Coroa Portuguesa - o chamado Quinto, o que originou a expressão ‘O Quinto dos Infernos’. O que dizer de hoje, quando pagamos quase ‘dois quintos dos infernos’ em tributos?", questionou Marcelo Queiroz.
Ao falar sobre o caráter especial da edição comemorativa ao aniversário da Fecomércio, Queiroz destacou a importância do trabalho da instituição. “São 65 anos de permanente luta em defesa dos interesses do nosso segmento empresarial. Segmento que se traduz num vigoroso sustentáculo do setor produtivo do nosso estado, respondendo por 40% do PIB, acolhendo 46% da mão-de-obra formalmente empregada e contribuindo com 60% do ICMS arrecadado pelo tesouro estadual”, disse ele, em seu pronunciamento.
Para o ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, “com discussões como esta, em que os setores público e privado se unem, o Rio Grande do Norte está encontrando um caminho novo para o planejamento do seu futuro. O estado não vai se desenvolver em gabinetes, e sim com sangue, suor e lágrimas do seu povo”, pontuou.
Também falando em desenvolvimento, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, destacou a importância do turismo como atividade econômica e as vantagens de Natal sediar um evento como a Copa do Mundo Fifa, principalmente pelo legado que ele vai deixar para a cidade. 
“Com a Copa teremos um resultado a médio e longo prazos. Um dos exemplos é o Aeroporto Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, que será o único da América Latina a receber o Airbus A380, maior aeronave comercial do mundo, em capacidade de passageiros. Diante de nossas potencialidades, o que devemos é unir público e privado, debater à exaustão e estabelecer metas a serem alcançadas”.
Em seu discurso, o presidente do Sistema Fiern, Amaro Sales, disse que os crescimentos da indústria e o do comércio de bens, serviços e turismo estão atrelados, sendo de grande importância discutir temas que promovam este desenvolvimento. Encerrando os pronunciamentos, a governadora Rosalba Ciarlini, também destacou a união dos setores público e privado, citando os exemplos da construção do Estádio Arena das Dunas e do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante. “Este não é só um terminal de passageiros, como também um terminal de carga, onde o governo adaptou o projeto para construção dos acessos, para que estejamos melhor preparados não só para receber os turistas que vêm para a Copa, mas também para a operação depois do mundial”.
O evento contou, ainda, com as presenças de membros da diretoria do Sistema Fecomércio e Sistema Fiern, presidentes de sindicatos filiados à Fecomércio, imprensa, além de autoridades políticas e empresariais.
 
PALESTRAS
Abrindo o primeiro bloco técnico de palestras, o ministro-chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República, Guilherme Afif Domingos, falou sobre “Comércio e Serviços como foco de negócios para as micro e pequenas empresas”. Para ele, “depois do sonho da casa própria e de viajar, o terceiro maior desejo do brasileiro é abrir o próprio negócio”. A diferença é que agora este desejo é movido pela oportunidade que foi gerada com o aumento do mercado consumidor no Brasil.
“Quando falamos do microempreendedor individual, temos 99% dos negócios nesta modalidade. E duas grandes dificuldades para os microempreendedores são a burocracia e a tributação. Estamos trabalhando fortemente para diminuir a burocracia”, disse o ministro. Uma destas ações é mudança da Lei Geral da Micro e Pequena Empresas, que promete simplificar, entre outras coisas, o processo de abertura e fechamento das empresas e ampliar a base de empresas beneficiadas pela simplificação tributária. “A maior colaboração que podemos dar ao micro e pequeno empresário, é deixar de atrapalhar”, alertou.
Afif destacou ainda a participação dos setores de Comércio, Serviços e Turismo no PIB brasileiro. Em números, a participação do setor de Comércio, por exemplo, passou de 11% em 2004, para 12,7% em 2013. Já o de Serviços, passou de 63% para 69,4% no ano passado. E a participação do setor de Turismo no PIB brasileiro cresceu de 3,5% em 2004 para 9,2% no ano passado. O ministro destacou ainda as potencialidades do Rio Grande do Norte, especialmente na área do turismo, e fez um alerta: “É preciso explorar o turismo e não explorar o turista”.

Aeroporto
A segunda palestra da manhã foi do CEO do Consórcio Inframérica, Alysson Barros Paolinelli, que falou sobre “O Novo Aeroporto da Grande Natal, seus planos e desafios”. O consórcio é responsável pela construção e operação do aeroporto Aluízio Alves, na cidade de São Gonçalo do Amarante, cuja inauguração está prevista para o próximo dia 22 de maio. O Inframérica é responsável pela operação de mais de 50 aeroportos do mundo, e tem como premissa o uso das tecnologias de ponta para assegurar a comodidade dos seus passageiros.
“Uma destas tecnologias é o check-in compartilhado, onde o passageiro pode usar o balcão de qualquer companhia aérea, e é muito útil em horários de pico”, afirmou Paolinelli. O aeroporto de São Gonçalo do Amarante é o primeiro 100% da iniciativa privada a operar no país, e o primeiro a ter controladores de vôo próprios, que não são funcionários da Infraero ou da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Com relação à sua estrutura, o terminal possui 40 mil metros quadrados de área; disponibilizará 550 vagas de estacionamento; 45 balcões de check-in; 8 escadas rolantes; 22 elevadores; 6 esteiras de restituição de bagagens. “Estes números são importantes porque determinam a qualidade e eficiência do aeroporto que deve atender uma média de 6,2 milhão de passageiros”, disse o CEO.
Uma informação importante passada pelo executivo é que a empresa tem uma estratégia de crescimento continuo do equipamento, com investimentos a longo prazo. Além de promover o desenvolvimento da economia do entorno do aeroporto, é intenção da empresa fortalecer o Rio Grande do Norte como pólo de turismo e negócios. “Vamos trabalhar para trazer novas rotas, negociando diretamente com as companhias aéreas nacionais e internacionais, e mais: vamos lutar por benefícios fiscais como a redução do imposto do querosene de aviação de 17% para 12%”, concluiu.

Luíza Trajano
Uma das palestras mais aguardadas do dia, foi a da diretora superintendente da Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, que abriu as atividades no turno vespertino. Muito prestigiada pelo público que acompanhava o Motores do Desenvolvimento, a empresária falou sobre o “Varejo, um gigante e os seus desafios”. No início de sua apresentação, Luiza Helena deu alguns detalhes sobre o seu empreendimento, que foi fundado há 57 anos, possui 744 lojas, oito centros de distribuição de produtos e 24 mil funcionários, com previsão de faturar algo em torno de R$ 10 bilhões este ano. 
A ML já incorporou 13 outras cadeias varejistas por todo o Brasil e, em 2011, foi listada na BM&Bovespa. Luiza disse que a seu ver o desenvolvimento do Brasil passa pelo tripé: crédito, emprego e renda. A palestrante mostrou números que comprovam o crescimento do varejo e embasam uma visão otimista para o setor. Para ela, o segredo do crescimento da rede Magazine Luiza – fundada pelos tios da empresária, Luiza Trajano e Pelegrino José Donato, em Franca, interior de São Paulo, é a simplicidade. Até hoje, Luiza Helena Trajano faz questão de ficar próxima do dia a dia do negócio, mantendo linhas diretas de contato, uma com os funcionários e outra com os clientes. Após a apresentação, houve um momento de debate, mediado pelo presidente das Lojas Riachuelo e do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, Flávio Rocha. “Luiza Helena Trajano deu uma nova perspectiva ao varejo ao defender com otimismo o crescimento do setor. Luiza passou a ser o rosto do copo meio cheio”, afirmou o colega Flávio Rocha.
Para o presidente das Lojas Riachuelo, Luiza Trajano assumiu esta relevância institucional após uma entrevista na TV fechada, no início do ano. Na ocasião, Luiza discordou do apresentador e sugeriu “enviar dados mais atualizados” sobre o crescimento do setor. O vídeo acabou se tornando um viral nas redes sociais – e o varejo nacional ganhou um rosto.
Para Luiza, que já chegou a ser convidada pela Presidência para assumir a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, logo na sua criação, a questão não é “ver o copo meio cheio”, mas parar de reclamar e apresentar soluções para o setor. “É por isso que nós criamos o Instituto para o Desenvolvimento do Varejo – o IDV, uma entidade que reúne cerca de 10 milhões de empresas do segmento no país. Preferimos nos unir para conversar com o governo e apresentar soluções, projetos, ideias ao invés de apenas ficar reclamando. Nós, do varejo, somos os maiores empregadores do Brasil. Nesse setor, ou você é um apaixonado ou não é. Devemos procurar soluções.”
“Depois que você cresce, fica muito difícil ouvir uma crítica. Todo mundo só diz aquilo que você quer ouvir. Ser simples é o segredo. E o nosso desafio é continuar crescendo, mas sem perder o DNA”, concluiu Trajano.

Turismo
Com a palestra mediada pelo presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, o presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação e do Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Alexandre Sampaio, encerrou as atividades do dia, com a palestra “Os desafios para o Setor Turístico Nacional no pós-Copa – como transformar o evento em negócios futuros”. 
Sampaio acredita que "O legado da Copa do Mundo, para os empresários do turismo, vai ser o de imagem. Se fizermos uma Copa em que não tenhamos muito problemas, faremos com que os 600 mil turistas percebam que temos um bom atendimento, bons serviços e queiram voltar ao Brasil, além de encorajar as pessoas que conhecerão o Brasil através da televisão”, finaliza.

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