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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Turismo Criativo descentraliza e humaniza o desenvolvimento local


O modelo de economia criativa no Brasil, diferente de outros, deve trabalhar a inclusão social produtiva e o desenvolvimento  descentralizado com uma visão humanista que coloque a cultura como indutora da concentração de políticas públicas. A defesa foi apresentada como uma proposta de reflexão na mesa redonda Cidades Criativas, Economia Criativa e Empreendedores Criativos  na  1ª Conferência Brasileira de Turismo Criativo que se encerra hoje, 23, em Porto Alegre.  
A “provocação” foi feita por Cláudia Leitão, criadora da Secretaria de Economia do Ministério da Cultura e titular da pasta até o início de setembro deste ano.  De acordo com Cláudia, o Turismo Criativo traz este conceito de qualificação do desenvolvimento local humanizado. “Uma festa popular, um festival de leitura que atrai visitantes para uma cidade deve trazer também saneamento, educação e saúde para sua população”, defendeu a mestre em Sociologia pela USP e doutora pela  Universidade Paris Descartes.  Para Cláudia, o desenvolvimento no Brasil necessita ser medido a partir de indicadores que incluam os campos da cooperação e da criatividade uma vez que, para ela, “o patrimônio imaterial brasileiro é muito maior que o edificado”. Ao afirmar que o país ainda carece de políticas articuladas entre Turismo e Cultura, a palestrante  defendeu que projetos de desenvolvimento do Turismo Criativo deveriam ser apoiados pela Lei Rouanet, “que tem sido concentradora de recursos”, e indicou a recente publicação, pelo IBGE, do Sistema Nacional de Informações Culturais como uma valiosa ferramenta e fonte de informação para o novo segmento turístico no país.
Cláudia compartilhou a mesa redonda com Lala Deheinzelin, uma das pioneiras no campo da Economia Criativa no Brasil, que definiu o turismo tradicional  como “hardware” por  utilizar como atrativos paisagens, praias, estruturas edificadas, e o turismo criativo como “software”, porque se relaciona com o mundo intangível. “Esse universo, ao contrário do tangível,  não se consome e não se esgota com o uso, mas se multiplica, gera  uma economia que cresce de forma exponencial pelas múltiplas possibilidade que  no ambiente colaborativo em que as relações acontecem”, definiu Lala. No entanto, admitiu que os valores intangíveis só são valorizados pelas próprias comunidades locais quando se tornam visíveis e se concretizam em um processo, o que é possível quando esses valores são mapeados e conectados entre si.
A 1ª Conferência Brasileira de Turismo Criativo, iniciativa da prefeitura de Porto Alegre por meio da Secretaria Municipal de Turismo, prossegue hoje até as 18h.

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