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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Desafios do Brasil no setor de óleo e gás, após o leilão de Libra


O especialista no setor de Óleo & Gás da UHY Moreira-Auditores, Marcello Reis, comentou os resultados do leilão do campo de Libra realizado hoje (21). A UHY Moreira tem forte atuação no setor e faz parte de uma rede que atua em 86 países em todo o mundo. “O leilão do campo de Libra apontou ao mercado que, mesmo com risco exploratório relativamente baixo, as empresas concorrentes preferiram se unir em um consórcio para se fortalecerem frente às incertezas do futuro no Pré-sal. Por se tratar de características de exploração e produção não dominadas em nenhuma parte do mundo, os pesados investimentos serão assumidos por cinco diferentes empresas, incluindo a Petrobras, que ficou com 40% do bloco (30% eram exigidos em edital)”. Além da empresa brasileira, outras duas chinesas (CNPC e CNOOC), cada uma com 10%, são de economia mista e têm grande influência governamental. Completam o consórcio a anglo-holandesa Shell e a francesa Total, cada uma com 20%.
Segundo Reis, desde a descoberta do Pré-Sal, há seis anos, e a necessidade de desenvolvimento acelerado do segmento de O&G no Brasil, “nos deparamos com alguns aspectos críticos que são abordados diariamente por especialistas e empresários do setor”. 

 Com as comprovações das enormes reservas (nas bacias de Santos e Campos, estão concentradas 52 perfurações desde 2005, com índice de sucesso de 88%, frente a uma média internacional de 20% a 30%) e a perspectiva exponencial de demanda futura de petróleo e gás, delineou-se para o país um desenvolvimento vertiginoso desta indústria, e consequentemente, de toda a cadeia de suprimentos que a compõe. A Petrobrás projeta um crescimento de mais de 100% da produção atual até 2020, com investimentos da ordem de US$ 230 bilhões até 2017. 

 “A única proposta recebida pela Comissão Especial de Licitação (CEL), conta com cinco das dez maiores empresas petrolíferas mundiais em valor de mercado. Ademais, a formação de apenas um consórcio não desanimou os especialistas nem o governo, que ainda comemoraram a participação da Shell e Total, que era dada como incerta, assim como da BP, Petronas e Mitsui, devido à partilha da produção com a União ser considerada desvantajosa para empresas privadas. Ao final, a oferta única, e vencedora do leilão, compromete-se com 41,65% do excedente de óleo extraído para a União – quantidade mínima estipulada no edital”, comenta. 


Em encontros técnicos realizados recentemente, às vésperas do 1º leilão para exploração de áreas do pré-sal sob o regime de partilha, outros pontos-chave foram colocados em debate, entre eles:
1) Local Content – As regras para fornecedores de todos os tipos na cadeia de suprimentos da Petrobrás são bastante rígidas. Por lei, os fornecedores da indústria nacional, que incluem empresas estrangeiras estabelecidas no Brasil, são prioritários, desde que possuam o credenciamento (CRCC) e preencham os requisitos mínimos. Se não houver ofertantes nacionais alinhados em preço e tecnologia com o mercado externo, abre-se concorrência internacional (com participação dos nacionais habilitados). Mas a Petrobrás e ANP não sabem dizer como e quando estas regras podem sofrer alterações. Sabendo que agora duas empresas chinesas fazem parte do consórcio de exploração de Libra, certamente pleitearão facilidades para os fornecedores de seu país, já que o próprio governo chinês, no caso, subsidiará toda a cadeia de suprimentos local. Isto com certeza será objeto de discussões controversas e intensificará a entrada de empresas estrangeiras no Brasil. Além disso, a questão do “conteúdo local” não aborda apenas os aspectos legais, mas também os estratégicos para o desenvolvimento sustentável do setor, portanto a chegada de empresas fornecedoras de produtos e serviços para o setor de O&G é inevitável e indispensável para a evolução da indústria e transferência de tecnologia para o Brasil.
2) Intervenções do governo – Como acionista majoritário da Petrobrás, o governo brasileiro tem imposto certas diretrizes gerenciais, muitas vezes com objetivos políticos, em detrimento dos estratégicos para o crescimento e rentabilidade da empresa. Vide controle de preços dos derivados de petróleo nas refinarias para controle da inflação do país, por exemplo. Isto ainda é visto como um risco crítico para as empresas privadas, que têm planejamentos de longo prazo rigorosos, compliance de governança corporativa e investidores globais mais conservadores.
3) Gargalos operacionais – São evidentes as deficiências atuais do mercado em termos de disponibilidade de mão de obra especializada, equipamentos, serviços e infraestrutura logística. O país corre para suprir as demandas que se multiplicam a cada dia. As áreas de suprimentos das empresas operadoras e participantes dos consórcios já existentes estão sobrecarregadas de processos licitatórios e de concorrências públicas para atender à engenharia e demais departamentos operacionais. Destacam-se o setor de construção naval (barcos de apoio, sondas de perfuração etc), serviços de EPC - Engeneering, Procurement & Construction, Consultoria e Outsourcing, para no caso, empresas estrangeiras se estabelecerem e desenvolverem seu core business mitigando riscos e prejuízos de caráter burocrático e administrativo, crônicos no Brasil.
Nesta linha, apesar das dificuldades, do “Custo Brasil” e do pessimismo que rondam algumas reuniões técnicas e eventos do setor, encontramos um cenário bastante promissor com o mercado extremamente aquecido, principalmente para aqueles gestores que dispõem de recursos para assumirem maiores riscos.  
 
 
Assessoria- ADS Comunicação
 
 
 
 
 
 

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