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sábado, 26 de outubro de 2013

Carta de Porto Alegre encerra 1ª Conferência Brasileira de Turismo Criativo



 

A 1ª Conferencia Brasileira de Turismo Criativo, promovida pela Secretaria de Turismo da capital gaúcha, teve  como última mesa redonda o tema “Turismo Criativo: uma conversa global”, desenvolvido por Greg Richards, criador do conceito de Turismo Criativo, Sylvie Canal, criadora do portal creativeparis.info,  e Caroline Couret, responsável pela plataforma barcelonacreativa.info e diretora da Creative Tourism Network, rede mundial a qual estão associados destinos de Turismo criativo no mundo.

 Os especialistas internacionais fizeram  um apanhado das reflexões apresentadas no conjunto de painéis nos dois dias do evento. Richards fez questão de afirmar que a visão latino-americana percebida no evento é valiosa e necessária “porque o Turismo Criativo se move pela paixão e foi grande o entusiasmo que percebemos em todos durante este encontro em Porto Alegre”. A 1ª Conferencia Brasileira de Turismo Criativo teve a participação de mais de 600 pessoas de quase todos os estados brasileiros.

Carta de Porto Alegre - O encerramento oficial ocorreu com a leitura da Carta Porto Alegre Turismo Criativo, feita pelo secretario de Turismo de Porto Alegre, Luiz Fernando Moraes, que no evento recebeu das mãos de Caroline Couret o selo conferido pela Creative Tourism Network às cidades aceitas na rede mundial . Pioneira na elaboração de um programa de Turismo Criativo no Brasil, Porto Alegre é também a primeira cidade brasileira a fazer parte da Creative Tourism Network.


Sob o título “Reflexões compartilhadas”, o documento relaciona o futuro do Turismo Criativo como “a arte do possível”.  A carta afirma que a conversa global sobre o tema, iniciada em Santa Fé (Novo México/EUA) em 2008, é um processo aberto e evolutivo, e  por isso nenhuma conclusão definitiva tendo em vista os princípios  básicos do Turismo Criativo: pessoas que compartilham habilidades criativas, conhecimentos e experiências; não tem modelos padrão porque se baseia na especificidade local da criatividade; a diversidade e os recursos criativos intangíveis que se ampliam ao invés de se esgotarem  pelo uso como no turismo tradicional. Por esses príncipios, o Turismo Criativo se dá em pequena escala , o que aumenta o potencial para relacionamentos significativos, a criação de valor direto e maior participação.

Objetivos – Além de ratificar os princípios do novo segmento, o documento alinha, entre os objetivos do Turismo Criativo, os de permitir que as pessoas vejam o destino com outros olhos, examinando os detalhes da criatividade todos os dias, e que   realizem o seu potencial criativo assim como os visitantes por meio do intercâmbio criativo. Por reverter a relação de poder entre turistas e residentes, convencionalmente baseado no valor econômico, o Turismo Criativo promove o respeito mútuo entre as pessoas através dos novos valores estimulados pela criatividade compartilhada, tendo como resultado o aumento da qualidade de vida de todos. “O Turismo Criativo está em permanente evolução, sendo um sistema aberto e orgânico baseado em redes que conectam indivíduos  e instituições, a criatividade global e local, em parcerias entre organizações privadas, públicas e civis em um processo de aprendizagem a partir da criatividade local não somente para aqueles que viajam, mas também para a população local, que passa a apreciar a sua própria criatividade pelos olhos do viajante.”

Recomendações - Com base nas reflexões  propostas ao longo da Conferência, a carta faz recomendações que expressam  a Declaração da UNESCO of Hangzhou, de 17 de maio de 2013. “A 1ª Conferência Brasileira de Turismo Criativo considera que o Turismo Criativo contribui  para  situar a cultura no centro das políticas de desenvolvimento sustentáveis e recomenda  que,  como parte da agenda das Nações  Unidas para o desenvolvimento, se inclua um objetivo específico  centrado  na cultura, baseado no patrimônio, na diversidade, na criatividade e na transmissão do conhecimento, e que sejam previstas metas e indicadores claros que vinculem a cultura a todas as dimensões do desenvolvimento sustentável e, em particular, do Turismo”,  diz o documento. A Carta Porto Alegre Turismo Criativo faz ainda recomendações ao governo brasileiro para que inclua o Turismo Criativo entre os segmentos do turismo nacional e que a Organização Mundial do Turismo (OMT) inclua a nova vertente do turismo global em sua agenda de pesquisas e estudos.

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